HOME

O AMOR E SEUS ESPAÇOS

Publicado em 04/12/2016 às 15h22
**Esse texto faz parte de um projeto de criação literária para saber mais clique aqui**

                 Abro a porta e tomo cuidado para desviar de todas as caixas que estão no caminho. Chego à sala, esse é o único cômodo que ainda está completo. Eu o decorei em seus mínimos detalhes, escolhi até o aromatizante de alecrim que ainda paira no ar. Por isso, Francis não levou nada daqui. Tudo lembraria a sala de estar em que nunca de fato estivemos.

                Penso em como teria sido a minha vida se eu não tivesse me prendido ao Francis. Se não tivesse me prendido à estabilidade e ao conforto que a vida ao lado dele me trazia. Sempre sonhei em ter uma casa grande, bem decorada com cachorros e crianças fazendo bagunça. Eu e Francis sonhávamos com isso, mas ficamos tão obcecados em nossas carreiras que nada disso se tornou real, vivo.

                Tiro as flores secas do vaso e começo encaixotar todos os meus pertences. Olho para o meu reflexo naquele piso de porcelanato, vejo o quão deplorável estou e deixo as lágrimas escorrerem. Sinto o meu corpo desabar e escuto o eco do meu próprio soluço naquela imensa casa.

                Por um instante, lembro-me do quanto nós éramos felizes naquele apartamento de um dormitório, há dez anos. Eu podia estar em qualquer lugar da casa e escutava quando Francis colocava a chave na porta: aquele era o momento mais feliz do dia. Nós cozinhávamos, e o cheiro da comida se espalhava pela casa inteira como algo maravilhoso. Tudo que fazíamos era próximo, mútuo. Por mais que respeitássemos o espaço um do outro, era reconfortante saber que sempre tinha alguém ali.

                Até que resolvemos planejar a casa dos nossos sonhos. O lugar tinha tudo que nós podíamos imaginar: sala de jogos, biblioteca, piscina, suítes. Nós só não sabíamos que, no final das contas, estávamos construindo um monumento, mas destruindo aquilo que nos mantinha unidos.

                Sinto a maciez do tapete tocar a minha pele. Penso no quanto eu daria tudo para ter a companhia de Francis, nem que nós só tivéssemos esse tapete e nada mais. Porque no final de tudo, lar não é o lugar onde estamos ou o que construímos. Lar é alguém que nos faz sentir à vontade em qualquer lugar em que possamos estar; é poder saber que mesmo que nada dê certo, nós temos para quem voltar; é sentir o aconchego no final de cada dia.

                Estremeço e sinto toda a solidão que essa casa impõe. Percebo claramente que o amor é algo que deve ser pequeno, simples. O espaço grande demais faz com que as pessoas morem, mas quase nunca se encontrem. E como algo inversamente proporcional, quanto menor o espaço, maior a chance de se construir um grande amor.

Comentários (1)

A POESIA VIVA DE ZACK MAGIEZI

Publicado em 19/11/2016 às 16h29

                Entre algumas coisas que me encantam na vida está a poesia em prosa – acredito que tenho essa fascinação pela escrita assim, pois a vontade daquilo que se quer expressar sobrepõe todas as regras. E sentir é assim, né? Simplesmente acontece, flui.

                Já falei aqui do meu grande encantamento por uma obra de Quintana que é nesse estilo, depois descobri a poesia linda e despretensiosa da Clarice Freire. Até que um dia, eu encontrei pela internet os escritos de Zack Magiezi e instantaneamente senti algo tão nostálgico, como se estivesse lendo “Caderno H” pela primeira vez.

                A poesia de Zack é de uma sutileza rara e única. Sabe quando as palavras parecem fazer carinho no coração? É exatamente isso, como se o poema não fosse feito só para ler, mas também para sentir.

                Dentre os meus poemas favoritos estão:

“amor é mar
não me contento
em molhar os pés”

“more no seu amor próprio
pois é complicado morar de aluguel
em corações alheios”

“semântica
quando digo:
quer casar comigo
quero dizer
se eu virar casa
você mora em mim?”

“notas sobre ela
ela ama fotografia
pois ela gosta de paralisar o tempo
para ela o amor é a vida fotografando a gente”

E dentre tantos, tantos e tantos outros.

                Tive a grande oportunidade de conhecer o Zack na Bienal do Livro de SP e me impressionou a grande humildade dele escondida atrás de uma timidez genuína e pensei no quanto o trabalho dele começou pela internet e o quanto temos que agradecer por grandes e novos poetas poderem ter essa oportunidade: de alcançar seus leitores tão facilmente hoje em dia. Fico pensando em quanto, antigamente, muitos poemas ficaram escondidos no fundo de gavetas e poetas se foram sem serem conhecidos por aí. Então, obrigada internet!!

                Se você ainda não conhece a poesia de Zack acompanhe pelo Instagram e leia o livro Estranherismo (que é brilhante) e o melhor de tudo: ano que vem tem mais um livro repleto de coisas que são espelhos feitos de letras para as almas <3

Comentários (2)

NÃO EXISTE UMA FÓRMULA PARA ESCREVER!

Publicado em 04/11/2016 às 18h39

- Nós só precisamos começar -

            Escrever foi sempre algo intrínseco em mim. Costumo dizer que preciso escrever para viver, mas em todos esses anos, a minha escrita não passava de uns diários e os posts aqui do blog. Tudo mudou quando no primeiro semestre desse ano, eu resolvi cursar um semestre da disciplina de escrita criativa na faculdade. E posso dizer com todas as palavras que essa foi uma das melhores experiências da minha vida.

            Nunca tinha arriscado escrever ficção, tudo que escrevia no blog se baseava em uma opinião sobre algo que eu havia lido (tão superficial isso, né?). O medo e a falta de acreditar no meu potencial fizeram com que eu não explorasse um mundo inteiro em que a minha imaginação podia me levar. Era mais fácil opinar sobre o que os outros escreviam do que arriscar algo novo e desconhecido.

            Sempre acreditei que os escritores ficavam pensando toda a história antes de escrever, em seus mínimos detalhes. Mas percebi que tudo só acontece a partir do momento em que a gente começa a escrever e escreve, escreve, escreve, sem necessariamente ter a preocupação de chegar a algum lugar ou de se alguém vai querer ler aquilo. O mais importante é deixar o seu eu extravasar, porque depois de um texto pronto o sentimento de ver aquilo construído será gratificante. E aí virão um, dois, três, quatro textos e isso só irá depender de você.

            E era exatamente isso que eu não percebia: que só dependia de mim! Por isso, pensei que chegou a hora de publicar alguns textos meus e como o blog está em um período de mudanças mesmo, irei postar alguns aqui :) Além disso, pretendo dar algumas dicas de como dar o pontapé inicial para a criação literária. 

O que vocês acham disso?

“Talvez amadurecer signifique que você não precisa ser uma personagem seguindo um roteiro. É saber que você pode ser a autora” – Ava Dellaira

          

Comentários (1)

EU MUDEI, ELE MUDOU, NÓS MUDAMOS.

Publicado em 27/10/2016 às 00h00

     Como tudo na vida, não é mesmo? Posso dizer que esses últimos meses foram de grande reflexão, como aqueles momentos da vida em que a gente precisa colocar as coisas no seu devido lugar e planejar o futuro.

     Quando criei o Fórmula da Felicidade lia continuamente e avidamente muitos e muitos livros e como eu queria escrever sobre algo, não fazia sentido, naquela época, escrever sobre outra coisa que não fosse isso que eu tanto amava. Mas como me conheço muito bem, deixei o nome do blog como algo que pudesse ser expandido, vai que um dia eu mudasse de ideia?

     E esse dia chegou! Posso dizer que a blogosfera está perdendo um pouco a sua força. Hoje, as pessoas não buscam mais tanto o espaço de alguém na internet, mas nós como blogueiros temos que estar onde essa pessoa está, ou seja, nas redes sociais. Em toda essa minha observação, pensei em desistir do blog e criar algo mais original, diferente. Só que deixando ele uma semana em manutenção (para pensar bem no que eu ia fazer) vi a quantidade de acessos que teve – e pensei na decepção de quem abriu e viu: site em manutenção. Então vieram dois pensamentos: 1º eu amo escrever e isso me faz muito bem; 2º existem pessoas que leem. E sério, muito, muito obrigada por isso. Vocês são demais! 

     Por fim, falar de livros na internet foi algo simplesmente fantástico. Dividir as experiências da leitura com aqueles que tanto gostam, conhecer pessoas por isso, viajar para tantos eventos, enfim, cada um desses momentos realmente não tem preço e ficarão para sempre comigo, pois fazem parte de mim. Mas ao mesmo tempo, existe o lado desestimulante que fica bem escondido. Houve a época em que eu recebia provas de livros e tinha prazo para ler, muitas vezes algo que eu não queria ler e como meu tempo sempre foi pequeno, acabava lendo por ter que postar e não porque eu realmente queria. A blogosfera de livros é assim: ou você assume o compromisso com a editora (e eles muitas vezes só querem dinheiro e não dão a mínima para o blogueiro – que faz e muito para a divulgação) ou você faz por prazer. E eu sempre optei por fazer por prazer, sem cobranças, sem grandes divulgações. Até que chegou o momento que pensei: eu gosto de fazer outras coisas por prazer! Então por que não arriscar? E para completar tudo isso um post não literário do blog começou a render a maior parte dos acessos.

     Por isso, o Fórmula da Felicidade não será mais literário, é claro que irei postar resenhas e opiniões aqui, continuo amando ler e isso nunca irá acabar. A partir de agora, no entanto, ele será tudo que eu quiser que ele seja. Pois como uma boa taurina com ascendente em gêmeos (haha) mudo muito de ideias e o blog irá me acompanhar nisso, trazendo tudo que me traz felicidade e sendo do tamanho dos meus sonhos.

      Vamos comigo?

“As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem.”

CHICO BUARQUE -

Comentários (1)

show normalcase tsN left fwR|show tsN fwR center|left fwR show|b04 bsd|||news c10 fwB fsN|normalcase uppercase fwB|c10 fwB|login news normalcase uppercase fwR|tsN normalcase uppercase fwB|normalcase uppercase c10|content-inner||